Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025 e impacto associado às bets no SUS é estimado em R$ 30,6 bilhões por ano. Governo discute proibição enquanto mercado começa a reagir.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode assinar nesta sexta-feira (25) uma Medida Provisória contra as bets e cassinos on-line no Brasil. O governo trabalha na fundamentação jurídica do texto e discute desde restrições mais duras até a proibição das apostas esportivas e dos jogos virtuais. A movimentação ocorre justamente quando uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que 75% dos brasileiros defendem a proibição das bets.
Muito antes de as apostas chegarem ao centro do debate nacional, FEMACO e FENASCON já vinham alertando trabalhadores sobre esse problema. A campanha “Desvendando as Bets” tornou-se uma iniciativa pioneira no movimento sindical ao tratar diretamente de endividamento, perda de renda, dependência, saúde mental e desestruturação familiar provocados pelo jogo. Desde 2025, a mobilização percorre sindicatos e locais de trabalho, com mais de 50 palestras e milhares de pessoas alcançadas.
Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias
Os números mostram por que o assunto deixou de ser apenas uma discussão sobre entretenimento. Em 2025, as famílias brasileiras tiveram perdas líquidas de R$ 62,5 bilhões com as bets. No mesmo período analisado, as plataformas movimentaram quase R$ 351 bilhões em transferências via Pix.
Na saúde pública, outro alerta: estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 30,6 bilhões por ano o impacto financeiro dos danos relacionados às apostas sobre o SUS. Em cinco anos, a procura por atendimento relacionada à dependência de jogos e apostas aumentou 140%.
A rejeição também aparece nas pesquisas. Além dos 75% favoráveis à proibição, cerca de 60% dos entrevistados pela Atlas/Bloomberg afirmam que as bets trazem somente prejuízos à sociedade.
Campanha chegou às mãos de Lula
No último 12 de setembro, o presidente da FENASCON, Paulo Rossi, apresentou pessoalmente a Lula a cartilha “Desvendando as Bets”. O material reúne informações sobre os riscos das apostas e faz parte do trabalho desenvolvido pela FEMACO e FENASCON para levar prevenção e informação diretamente aos trabalhadores.
A entrega colocou nas mãos do presidente um retrato de uma realidade que as entidades já vinham acompanhando nas bases: salários comprometidos, dívidas, sofrimento emocional e problemas familiares associados às apostas.
Mercado já reage à possível MP das bets
A possibilidade de uma medida mais dura começou a provocar reação no setor. Superbet e Esportes da Sorte já notificaram clubes sobre eventual revisão ou rescisão de contratos, caso mudanças regulatórias inviabilizem suas operações. Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A possuem casas de apostas como patrocinadoras máster, em contratos que superam R$ 1 bilhão.
O impacto comercial chega também às emissoras. As bets investiram aproximadamente R$ 1,4 bilhão em publicidade em 2025, e TVs e plataformas de streaming podem receber até R$ 2,3 bilhões por ano em anúncios do setor. Globo, SBT e Band também mantêm negócios ou parcerias ligados a plataformas de apostas.
Agora, o governo precisa definir qual será o alcance da MP.
O debate envolve contratos bilionários, publicidade e futebol. Mas há outra conta igualmente concreta: R$ 62,5 bilhões perdidos pelas famílias, impacto estimado de R$ 30,6 bilhões sobre o SUS e três em cada quatro brasileiros defendendo a proibição das bets.
E, antes de essa discussão chegar ao atual estágio em Brasília, FEMACO e FENASCON já levavam o alerta para onde os efeitos das apostas apareciam primeiro: a vida dos trabalhadores e de suas famílias.

