Seminário Internacional da FENASCON destaca como o Benefício Social Familiar (BSF) e a assistência médica podem transformar convenções coletivas em instrumentos de proteção aos trabalhadores e suas famílias.
Quanto vale uma conquista trabalhista quando o trabalhador enfrenta uma emergência familiar, precisa de atendimento médico ou atravessa um momento de vulnerabilidade? A resposta vai muito além do contracheque. Durante o Seminário Internacional da FENASCON 2026, realizado em Foz do Iguaçu (PR), o debate sobre benefícios sociais e assistência médica trouxe ao centro das discussões uma dimensão essencial da atuação sindical: garantir que os direitos conquistados nas negociações coletivas também façam diferença nos momentos em que o trabalhador mais precisa.
O painel “A Importância do Benefício Social e da Assistência Médica nos Instrumentos Coletivos de Trabalho” reuniu Rogério Almeida, diretor de Relações Sindicais do Benefício Social Familiar (BSF), e Roberto Nolasco, presidente do Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF), para discutir como mecanismos de proteção social podem ampliar o alcance das convenções coletivas e contribuir para a qualidade de vida das categorias profissionais.
Benefício Social Familiar: quando a negociação coletiva alcança a vida do trabalhador
Tradicionalmente associadas aos reajustes salariais, as negociações coletivas possuem uma capacidade de transformação que muitas vezes não recebe a mesma visibilidade: a construção de uma rede de proteção para trabalhadores e seus dependentes.
É nesse contexto que o Benefício Social Familiar (BSF) ganha relevância. Por meio de garantias estabelecidas nos instrumentos coletivos, o benefício pode oferecer suporte em situações específicas de vulnerabilidade, conforme as condições e coberturas previstas em cada negociação.
A discussão apresentada por Rogério Almeida evidenciou a importância de tratar os benefícios sociais como parte integrante da valorização profissional, e não como vantagens secundárias.
Afinal, a efetividade de uma conquista sindical também pode ser medida pela capacidade de oferecer segurança quando a rotina de uma família é interrompida por acontecimentos inesperados.
Assistência médica e saúde do trabalhador entram na agenda sindical
Outro eixo do painel foi o papel da assistência médica na construção de relações de trabalho mais equilibradas.
A participação de Roberto Nolasco, presidente do IAGF, ampliou a discussão sobre a necessidade de incorporar soluções de assistência à saúde aos acordos e convenções coletivas, considerando as particularidades de cada categoria.
Em setores caracterizados por atividades fisicamente exigentes, jornadas operacionais e exposição a diferentes riscos ocupacionais, ampliar o acesso aos serviços de saúde representa uma medida relevante de valorização profissional.
O debate também evidenciou que a existência de um benefício no papel não é suficiente. Para produzir resultados concretos, é necessário que os trabalhadores conheçam seus direitos, compreendam as condições de utilização e tenham acesso efetivo aos serviços previstos.
Essa perspectiva coloca a qualidade da assistência, a transparência e o acompanhamento dos benefícios entre os elementos importantes de uma negociação coletiva bem estruturada.
O futuro das convenções coletivas não pode ser medido apenas pelo reajuste salarial
Em um cenário de transformações nas relações de trabalho, a atuação sindical precisa considerar as diferentes dimensões da vida dos profissionais representados.
O salário continua sendo uma conquista fundamental, mas a proteção social exige uma visão mais abrangente, capaz de incluir assistência médica, apoio familiar e mecanismos de segurança diante de situações imprevistas.
Para a FENASCON, essa discussão possui importância especial para os trabalhadores dos setores de asseio e conservação, limpeza urbana, serviços auxiliares de transporte aéreo e demais segmentos representados pela entidade.
Ao incorporar benefícios sociais às negociações, os sindicatos podem fortalecer sua capacidade de representação e demonstrar, na prática, que a negociação coletiva é um instrumento de construção de direitos com impacto direto na vida das pessoas.
Mais do que ampliar o número de cláusulas de uma convenção, o desafio está em assegurar que cada conquista tenha aplicação efetiva e responda às necessidades dos trabalhadores.


