O enfrentamento à violência de gênero e a urgência em dar visibilidade às pautas das mulheres marcaram a abertura do Março das Mulheres 2026, realizada na manhã desta segunda-feira (2) na Estação do Brás. Em meio ao ritmo apressado do início do dia, com trabalhadoras atravessando a plataforma rumo aos seus compromissos, a mobilização organizada pelo Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais transformou o cotidiano da estação em um espaço de conversa, acolhimento e alerta. A FENASCON participou do ato para reforçar que os debates deste mês precisam alcançar diretamente quem vive, todos os dias, as desigualdades e desafios que se busca enfrentar.
Um ato que se encaixou no coração da cidade
A escolha do Brás foi tanto estratégica quanto simbólica. É ali que milhares de mulheres circulam diariamente, muitas carregando jornadas múltiplas, inseguranças e responsabilidades que raramente aparecem no centro das discussões públicas. Durante o ato, dirigentes das centrais conversaram com a população, distribuíram materiais informativos e ouviram relatos que, por si só, já explicam por que a mobilização é necessária. A encenação que retratou situações de violência doméstica interrompeu o vai e vem da estação e chamou a atenção de quem passava. A força da apresentação veio justamente da familiaridade das cenas, reconhecíveis para tantas mulheres que vivem ou testemunham situações parecidas. Foi um momento que tirou a questão do abstrato e trouxe para o imediato, para o real.
A presença que importa
A participação da FENASCON não teve caráter formal. Foi uma presença comprometida com o sentido mais profundo da mobilização: estar ao lado das mulheres, no lugar onde elas estão, falando de problemas que não cabem apenas em discursos. A entidade reforça que a pauta de gênero não se limita ao calendário, tampouco deve ser tratada como assunto secundário. Trata-se de garantir dignidade, segurança e justiça no trabalho e na vida cotidiana. Na abertura do Março das Mulheres, o recado foi direto. Não é sobre slogans, e sim sobre postura. A realidade não espera, e as mulheres também não.













