Por Fabiano Polayna I MTB 48.458/SP
Na noite de ontem, enquanto brasileiros acompanhavam atentos a cerimônia de um importante prêmio internacional de cinema, a conquista de O Agente Secreto transformou a expectativa coletiva em afirmação cultural e política. O reconhecimento internacional do filme simboliza mais do que uma vitória artística: representa a capacidade do cinema brasileiro de ocupar o centro do debate global ao tratar de temas sensíveis da história nacional, disputando narrativas e reafirmando a democracia como valor fundamental.
Ao abordar períodos marcados por vigilância, repressão e conflitos institucionais, a obra dialoga diretamente com momentos decisivos da história política do Brasil. O filme resgata memórias, provoca reflexão crítica e contribui para que a sociedade compreenda os impactos do autoritarismo sobre direitos, liberdades e relações sociais. Para o presidente da FENASCON, Paulo Rossi, esse papel é essencial. “O cinema brasileiro cumpre uma função política ao revisitar o passado e iluminar o presente. Quando esse trabalho é reconhecido internacionalmente, ele fortalece a democracia e amplia a consciência social”, afirma.
Paulo Rossi ressalta que o alcance dessas produções vai além do campo simbólico e cultural. O audiovisual é um dos grandes indutores do setor de serviços, ativando cadeias produtivas que envolvem trabalhadores da limpeza, segurança, transporte, alimentação, hotelaria, eventos, tecnologia, comunicação e logística. “Cada filme que ganha projeção internacional significa mais trabalho, mais renda e mais contratos para milhares de trabalhadores que atuam nos bastidores da cultura”, destaca Rossi, reforçando o papel estratégico do setor de serviços na economia brasileira.
Nesse mesmo eixo de valorização da memória e do debate político, a entidade também relembra Ainda Estou Aqui, obra que igualmente contribuiu para manter vivo o debate sobre os impactos humanos e sociais de períodos de exceção. Para a FENASCON, fortalecer o cinema nacional é uma escolha política consciente: significa investir em cultura, proteger empregos, movimentar a economia dos serviços e consolidar a democracia como projeto coletivo do país.