Janeiro é marcado nacionalmente pela campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental. Em um cenário de crescente adoecimento emocional entre trabalhadores, a iniciativa ganha especial relevância ao lançar luz sobre os impactos das condições de trabalho na saúde psíquica da população economicamente ativa.
Em alusão à campanha, o presidente da FENASCON, Paulo Rossi, defende que o tema deixe de ser tratado de forma pontual e passe a ocupar lugar central nas políticas de gestão e nas negociações trabalhistas. Segundo ele, milhares de trabalhadores adoecem todos os anos em decorrência de ambientes laborais hostis, metas excessivas, assédio moral e sexual, bem como, insegurança profissional.
Levantamentos de entidades sindicais e análises de especialistas em saúde do trabalho indicam que os afastamentos por transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout cresceram cerca de 30% nos últimos anos, pressionando o sistema previdenciário e impactando diretamente a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores. Paralelamente, observa-se o avanço de comportamentos compulsivos, como o consumo abusivo de álcool e o envolvimento com apostas on-line, conhecidas como bets, frequentemente associados ao sofrimento psíquico e à precarização das relações de trabalho.
“Não há como ignorar a gravidade desse cenário. A saúde mental não pode ser tratada como uma questão individual ou secundária. Estamos falando de trabalhadores que adoecem silenciosamente e, em muitos casos, acabam perdendo vínculos familiares, estabilidade financeira e até a própria vida”, afirma Paulo Rossi.
O presidente da FENASCON ressalta que a legislação brasileira já dispõe de instrumentos importantes para a prevenção desses adoecimentos, mas que sua aplicação ainda é insuficiente. Entre eles está a Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), que estabelece diretrizes para o gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais.
“É fundamental que a saúde mental esteja presente de forma permanente nos debates com os trabalhadores. Precisamos conscientizar, mas principalmente garantir o cumprimento da NR-01, que prevê mecanismos claros para a proteção da saúde mental nos ambientes de trabalho”, reforça Rossi.
Para a FENASCON, o Janeiro Branco deve servir como ponto de partida para ações contínuas ao longo de todo o ano, envolvendo programas de prevenção, escuta ativa, qualificação de lideranças e políticas efetivas de combate ao adoecimento mental no mundo do trabalho.