Home DestaqueAção dos EUA na Venezuela reacende alertas ao Brasil, avalia presidente da FENASCON

Ação dos EUA na Venezuela reacende alertas ao Brasil, avalia presidente da FENASCON

by Comunicacao

A operação militar atribuída aos Estados Unidos contra a Venezuela, que teria resultado na detenção do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, passou a ser tratada com cautela por governos e organismos internacionais diante de versões conflitantes e da ausência de validações independentes. Para o presidente da FENASCON, Paulo Rossi, o episódio, independentemente de seus desdobramentos jurídicos, impõe uma reflexão direta sobre os impactos negativos para o Brasil no campo diplomático, econômico e institucional.

Segundo Rossi, o país vinha empenhado em reconstruir uma normalidade pragmática no diálogo com Washington após anos de tensões e desalinhamentos na política externa. “O Brasil busca previsibilidade, estabilidade e respeito às regras multilaterais. Ações unilaterais, sobretudo de natureza militar, fragilizam esse ambiente e criam incertezas para parceiros que apostam na diplomacia como eixo central”, afirma.

Na avaliação do dirigente, o episódio pressiona a política externa brasileira em um momento sensível, exigindo posicionamentos cuidadosos para não comprometer relações estratégicas com os Estados Unidos nem abdicar do compromisso histórico do país com o direito internacional. “Quando um precedente dessa magnitude é colocado sobre a mesa, todos os países médios, como o Brasil, passam a questionar quais são os limites reais da soberania nacional”, diz.

Rossi destaca ainda os efeitos indiretos sobre a economia, especialmente em setores sensíveis à instabilidade regional, como energia, comércio exterior e investimentos. “Crises geopolíticas aumentam a percepção de risco, encarecem financiamentos e afetam cadeias produtivas. O Brasil não é um espectador neutro desse processo”, observa.

Para o presidente da FENASCON, o episódio também lança dúvidas sobre a consistência do discurso democrático quando interesses estratégicos entram em cena. “O combate ao crime internacional é legítimo, mas não pode relativizar normas que sustentam a convivência entre Estados. Caso contrário, abre-se espaço para insegurança jurídica e política, com reflexos diretos sobre países que dependem da estabilidade institucional para crescer”, conclui.

A leitura de Rossi vai ao encontro da preocupação de diversas autoridades internacionais.
Mais do que um evento isolado, a ação amplia um debate sobre soberania, previsibilidade e o papel das regras multilaterais, tema que tende a ganhar peso na agenda externa brasileira nos próximos meses.

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