Seminário com representante da OIT coloca em pauta os desafios contemporâneos e pressões sobre direitos dos trabalhadores
Em meio às transformações profundas nas relações de trabalho e ao avanço de modelos que tensionam direitos historicamente consolidados, dirigentes da FENASCON marcaram presença em um debate de alcance internacional sobre liberdade sindical. O seminário “Os desafios da Liberdade Sindical no Contexto Contemporâneo” foi realizado nesta quinta-feira, nas dependências da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, reunindo especialistas, lideranças e estudantes em torno de um tema que volta ao centro das discussões globais.
Representaram a entidade o presidente Paulo Rossi e o diretor Sérgio Félix, em um encontro promovido pelo Instituto Dr. Edésio Passos que buscou aprofundar o debate sobre os limites, os desafios e a relevância da organização sindical em um cenário cada vez mais complexo.
A palestra principal foi conduzida por Xavier Beaudonnet, representante da Organização Internacional do Trabalho em Genebra, que trouxe uma análise técnica e direta sobre as normas internacionais que asseguram os direitos fundamentais dos trabalhadores. Em sua exposição, destacou o princípio da liberdade sindical como um dos pilares do sistema internacional do trabalho e alertou para movimentos, em diferentes países, que apontam para o enfraquecimento das instituições e das formas de representação coletiva. Também apresentou o funcionamento do Comitê de Liberdade Sindical da OIT, órgão responsável por examinar denúncias e violações desse direito.
Para o presidente da FENASCON, o debate não se limita ao campo jurídico, mas revela disputas concretas sobre o futuro do trabalho. “A liberdade sindical não pode ser tratada como um conceito abstrato. Ela é, na prática, o que garante que trabalhadores tenham voz, organização e capacidade de negociação. Quando esse direito é fragilizado, o desequilíbrio nas relações de trabalho se torna inevitável”, afirmou Paulo Rossi.
Rossi também ressaltou que a participação em espaços como esse amplia a capacidade de leitura do cenário atual. “O contato com a OIT permite compreender que esse não é um debate isolado do Brasil. Existe um movimento global que exige atenção, responsabilidade e posicionamento firme das entidades. Defender a liberdade sindical é defender a democracia nas relações de trabalho”, completou.
O seminário reforça que, diante do avanço da informalidade, das novas formas de contratação e das pressões por flexibilização, a liberdade sindical permanece como um dos principais instrumentos de equilíbrio social. Mais do que uma garantia formal, ela se apresenta como elemento estratégico para assegurar dignidade, diálogo e justiça no mundo do trabalho contemporâneo.


